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PEQUENA HISTÓRIA DO FUTEBOL

Esporte mais popular do mundo, o futebol é praticado desde a Antiguidade. Sabe-se, por exemplo, que o time capitaneado por Hércules derrotou o selecionado de Lerna e mais outras onze equipes, tornando-se o primeiro campeão da Liga de Delos. Não se pode esquecer tampouco o esquadrão da Grécia vencedor de uma peleja mitológica contra Tróia, terminada aos cinco anos do segundo tempo, quando os gregos conseguiram penetrar a cidadela adversária com um gol de Cavalo.

No Oriente, havia o Campeonato Pan-mesopotâmico, envolvendo potências como Egito, Babilônia, Tiro e Sidon, e sempre vencido pelos fenícios, que escreviam as regras a seu favor. Por esse tempo foi que Davi derrotou Golias com um tirombaço de direita, conquistando a cobiçada Copa de Canaã para os hebreus. O que leva muitos judeus a dizerem até hoje que Deus é israelita.

Entre os romanos, o clássico Cristãos x Leões (o chamado Letão) lotava o Coliseu. Patres familias de toda a península se reuniam nos finais de semana, iam ao estádio, comiam, bebiam e torciam, exatamente como agora. Também como atualmente, a comida nesses ambientes era de péssima qualidade. Sobretudo para os leões.

Na Idade Média, por sua vez, uma pequena modificação foi introduzida no esporte, que passou a ser praticado com bala de canhão. O conceito permanecia o mesmo, com a diferença de que a bola é que chutava os jogadores. Foi, aliás, indignado com isso e desejando um retorno às antigas normas futebolísticas que o escrete composto por Dürer, no gol; Da Vinci, Michelangelo, Shakespeare e Montaigne, na defesa; Rabelais, Rembrandt, Cervantes e Rafael, no meio-campo; e Camões e Cláudio Adão, no ataque, inventou o Renascimento F.C e o chamado “futebol-arte”.

Porém, foi apenas a partir de 1632, quando Galileu descobriu que a bola era redonda e girava em torno do seu eixo que o futebol se estabeleceu como hoje o conhecemos. Até aquele momento, na falta dela, muitas partidas eram disputadas com pepitas de ouro e caixotes de especiarias, o que fazia do esporte uma atividade dolorosa, perdendo apenas, em grau de insalubridade, para outros desportos em voga, como criticar o papa e contrair Peste Negra.

Por conta dessa novidade, a International Inquisition Board, órgão que controla o futebol no mundo, afirmou que Galileu havia ido longe demais e, pior, que só havia um marcador entre ele e a linha de fundo. Galileu rebateu a acusação, dizendo que quem estava na banheira, muito antes dele, era Arquimedes. Uma mentira facilmente contestada, pois àquela altura Arquimedes estava morto em campo.

Não houve argumento, o Tribunal de Santa Justiça Desportiva mandou o cientista para o calabouço mais cedo e ameaçou escalá-lo na lateral para o próximo jogo entre Céu e Inferno. Vendo que lançavam uma bola na fogueira, Galileu voltou atrás e admitiu que a esfera não apenas era quadrada, mas cabeluda e cheia de furinhos.

Seria preciso esperar mais algumas décadas para que o meia-direita Isaac Newton desse novo impulso ao esporte. Impulso que o levaria bem mais longe não fosse a força de atrito. Cheio de conceitos modernos, Newton adita gravidade ao ludopédio, outrora tido como passatempo frívolo, utilizando-se de variáveis como espaço e tempo de partida e determinando que uma bola lançada para cima retornasse ao gramado com a mesma velocidade do chute inicial.

Contudo, apesar de modernamente inventado por um inglês, os bretões não conseguiram desenvolver o futebol a contento, em função de sua pouca habilidade. Você pega o selecionado britânico do século XVIII, por exemplo, e só encontra perna-de-pau, a começar por Barba Negra.

No final do século XIX, Charles Miller trouxe duas bolas e um par de chuteiras para o Brasil e aconteceu o que todos já sabem: elas foram roubadas. Mas isso não fez esmorecer o ânimo desse bravo pioneiro. Setenta e duas bolas, 527 impostos de importação e 126 pagamentos de propina mais tarde, após muito esforço, Miller finalmente conseguiu explicar aos nativos o primeiro fundamento do esporte, ou seja, que a bola não é comestível.

A partir dali, o futebol teve um crescimento vigoroso no país, que conquistou cinco títulos mundiais e causa inveja às demais nações, pois é o único que conseguiu derreter sua própria taça. Esse sucesso faz com que o jogador de futebol, ao lado do dinheiro não declarado, seja atualmente nosso principal produto de exportação.

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