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QUEM ERA MARCONI LEAL? (Capítulo II — Da Natureza dos Parênteses ou da Vida Sexual das Azeitonas)

Todos estão de prova como, havendo feito uma introdução performática que não me envergonharia num ménage com a Cicciolina e a Deep Throat e tendo comido já a pizza de alface com acerola, digo, escarola (ou aquilo é acelga? Tinha jeitão de acelga, sempre confundo), o que levou este post a se desdobrar, me preparava hoje para atingir o clímax com direito a “foi bom pra vocês”, um Hollywood sem filtro e papos descontraídos sobre a exegética kantiana e o livre-arbítrio em Lutero.

Eis, contudo, que dúvidas cheias de hemácias e glóbulos brancos se acumularam na mente dos leitores, que, incontinentes e ignorando a existência do Intimus Gel Seca Ultra Proteção com Abas, as fizeram jorrar na caixa de comentários, insistindo para que deite um pouco de meu vasto, uno e indivisível conhecimento sobre a natureza hormonal das azeitonas e a utilização de parênteses para fins sexuais. Parênteses, repito. Não curto incesto.

Resultado: me despeço da continuação do texto após um aceno breve e uma quebra de página no Word para tratar do assunto premente, de cuja solução depende a paz de espírito de dezenas de desocupados de norte a sul do país (acelga, definitivamente acelga, porque escarola não tem aquele rabinho.)

A discórdia generalizada, pelo que depreendo, deriva de um ponto fundamental: “Menstruariam as azeitonas?”, perguntam-se os leitores, entre olhares pasmos e queixos freudianos, enquanto por reduzidos segundos a Terra pára de girar.

E a resposta é: siiiim! “Deseja trocar seu carro zero km por um alfinete?”, insistem. E eu repito, apertando com as mãos o fone de ouvido: siiiim, Silvio! As azeitonas não só menstruam como têm uma vida sexual normal, como todo e qualquer representante das Sideroxylon densiflorum, qual é a grande surpresa? Ou vocês achavam que os azeitonos eram seres privilegiados que nunca enfrentaram uma TPM da parceira?

É cada uma, vou lhe contar (couve-flor! O nome daquilo é couve-flor, agora não resta dúvida; folhas largas, verdes, um caule fininho, enfim, mais couve-flor impossível; demoro às vezes para lembrar o nome desses alimentos genéricos, como o rábano e o capim-bambu, mas chego a estes momentos de certeza absoluta e me tranqüilizo: couve-flor, ponto).

Respondida a questão básica, dou agora, por caridoso e magnânimo, um pequeno histórico da azeitona, em colaboração com o Houaiss, de quem sou tão íntimo que chamo de pai. Segurem e embalem com carinho: fruto da oliveira, também conhecida em círculos mais efeminados por oliva, a azeitona é uma criatura sociável e amiga, que se enturma com todos na família das sapotáceas e mesmo na esfera mais ampla das árvores nativas da região subtropical da África.

Muito dada (é comestível), costuma se relacionar preferencialmente com frutos oblongos e subglobosos, desde que eles tenham uma conversa agradável e algum dinheiro no banco. Não tem preconceitos bobos: curte pretos, pardos, verdes, transgênicos e até o Michael Jackson, se pintar um clima. Transa sol e mar, gosta de um lance maneiro, coisa o negócio na real, quer dizer, o auê com ela rola na boa, tipo mó belê, tá ligado?

Aqui, sentem e respirem fundo, porque tenho certeza de que há uma informação referente ao assunto que vocês jamais sonharam adquirir e, no entanto, deveria, ela sim, provocar discussões muito mais acirradas, a saber: afinal de contas, onde está minha mulher?

Quase meia-noite e nada! Vou ligar pra ela. Amanhã continuo a história da azeitona e falo dos parênteses, ou seja, o mais tardar em março de 2009 acabo este texto, vocês vão ver. Oito, nove, dois, dois, quatro… quatro… cin… Aspargo! Ha! Taí, até que enfim. Garanto, cem por cento seguro, líquido e certo: aspargo. Putz, mas era evidente! Com aquelas anteninhas, pô, como é que eu não saquei antes? (CONTINUA)

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0 Comentários on “QUEM ERA MARCONI LEAL? (Capítulo II — Da Natureza dos Parênteses ou da Vida Sexual das Azeitonas)”

  1. #1 Fernanda
    on Nov 13th, 2008 at 3:13 pm

    Era mais fácil reconhecer que você errou na concordância. Mas para que facilitar, se pode complicar!
    Quanto à verdura da pizza, aposto que era almeirão. Façam suas apostas, senhoras e senhores: o que será que o ML comeu! Era verde, sem ser palmeirense; tinha rabinho, sem ser político, e estava sobre um disco de massa.

    [Reply]

  2. #2 Sandro
    on Nov 13th, 2008 at 8:55 pm

    Fácil, fácil mesmo, é apontar um erro de concordância no texto dos outros. Fernanda, você realmente não é uma política palmeirense?

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  3. #3 Franciel
    on Nov 13th, 2008 at 9:41 pm

    Ô tarado do parênteses e comedor de folhinha, a Bahia quer saber: era mais fácil você reconhecer que errou na concordância ou admitir que as azeitonas não menstruam todo mês?

    Como diria o glorioso locutor Januário de Oliveira: “Taí o que você queria”.

    E ele diria mais: “Sinistro, muito sinistro”.

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  4. #4 Marconi Leal
    on Nov 14th, 2008 at 7:04 am

    Além de mais fácil, muito mais engraçado, Fernanda. É pena que às vezes não me atenha ao espírito do blog.

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  5. #5 Marconi Leal
    on Nov 14th, 2008 at 7:20 am

    Engano seu, Sandro. Primeiro, a pessoa precisa ter um domínio absoluto da língua e segurança de que não cometerá erro gramatical algum em seus comentários, para não passar por ridícula. Depois, tempo disponível para entrar no blog vinte e três vezes entre oito e meio-dia. Por fim, ser caridosa e perdoar o autor, mesmo quando ele comete um tipo de erro que em muitas sociedades resulta em cadeira elétrica. Como vê, a coisa é mais complexa do que você pensa. E, por favor, não desmereça o trabalho de revisora. Quando eu escrevi aquele post, “O Idiota Comentarista de Blog…”, por exemplo, cometi vários erros de concordância e foi graças a uma profissional assim que agora só restam 102 deles ali. Aliás, não conheço você de algum canto? Esse sotaque não me é estranho. E esse cabelo… Bom, deixa pra lá.

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  6. #6 Marconi Leal
    on Nov 14th, 2008 at 7:29 am

    Franciel, não reclame. Desde que os comentaristas do Ingresia passaram a freqüentar este espaço, a coisa degringolou. Culpa sua, portanto. Aliás, confesse, vamos: quando você disse “o parênteses”, cometeu um erro gramatical ou estava insinuando que os parênteses também menstruam?

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  7. #7 Emerson Murari
    on Nov 14th, 2008 at 2:44 pm

    E, como diria aquela aprendiz de humorista ao “Seo Sílvio”: - E o caroço da azeitona? Não vale ser deselegante e enfiar no meio dos parênteses. A família agradece.

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  8. #8 Ramiro Conceição
    on Nov 15th, 2008 at 9:24 am

    Marconi!
    Marconi!
    Acorda
    todas as azeitonas
    e todos os nabos
    porque hoje é sábado…

    O PECADO DE SODOMA
    by Ramiro Conceição

    É, fatigado, cheguei à tua morada segura,
    mas não me recebeste por falta de ternura.
    Negaste-me acolhida tal qual a um estranho
    que chegasse à tua casa e pedisse comida.
    Porém nunca fui um forasteiro
    mas se fosse, devias olhar-me
    porque eu poderia ser um anjo
    que acabara de chegar à tua redoma…

    Amor… eis o pecado de Sodoma:
    não permitir o existir da luz da Vida
    que, ao chegar, ilumina a moradia.
    Amor… me deixaste ao relento,
    do lado de fora do teu aposento.
    Como cantar às coisas claras
    se tu à noite não me guitarras?

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  9. #9 Ramiro Conceição
    on Nov 15th, 2008 at 1:39 pm

    “Sim, todo o Amor é Sagrado!”
    Eu sou apenas um pássaro..

    [Reply]

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