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CLÁSSICO METAFÍSICO: CÉU X INFERNO (Quarta Parte)

DANTE: E olha aí mais uma descida fulminante do Inferno. Papa Doc para Stálin, Stálin para Sisto V, que lança para Vlad. Vlad avança pela direita em alta velocidade. A torcida avança com ele…

TORCIDA DO INFERNO: “Ô-ô-ô, Vlad é Empalador! Ô-ô-ô, Vlad é Empalador!”

DANTE: Segue Vlad. Dribla, um, dribla dois, entra na área, na cara do gol, atiroooou… Jacóóóóóóó! Defesa espetacular de Jacó, encaixando uma bola que ia no ângulo. Orfeu, o que é que só você viu?

ORFEU: “Meu mel não diiiga adeus, eu tenho tanto medooo…

DANTE: Orfeu!

ORFEU: Uma defesa espetacular de Jacó, Dante. Aliás, não via Jacó em forma assim desde a época em que atuava com Raquel e as escravas para produzir sua imensa prole.

NIETZSCHE: Cabe notar uma coisa ainda mais impressionante: Jacó faz essas defesas todas, geniais, com as mãos fechadas.

DANTE: Bem lembrado, Nietzsche. E Jacó continua com a bola. Fala com os outros companheiros de equipe. Vai a um e outro zagueiro, mostrando a bola, gesticulando… Mas o que é que ele quer, afinal? O que ele tá dizendo, Orfeu?

ORFEU: “Eu só queeero é ser feliz, andar tranquilamente na favela onde eu nasciiii, é…”

DANTE: Orfeu!

ORFEU: Jacó tá tentando revender a bola, Dante. Tá dizendo: “No meu mão é barratinho…”

DANTE: Lá vai ele. Saiu da área com a redonda… Não pode, Jacó, é falta! Falta perigosíssima para a equipe do Inferno bater. Quase um pênalti, Nietzsche.

NIETZSCHE: Olha, batendo dali de tão perto, Hitler é um perigo para a barreira. São tiros fulminantes. Já vi jogador do Céu sair de campo emasculado. E não me refiro a Gabriel, claro.

DANTE: Bom, vamos ver se Hitler derruba alguém dessa vez. Mas não. Ele deixa a pelota para o Marquês de Sade, que a ajeita com carinho. Sade beija a bola. Sade… lambe a bola. Sade se… abraça com a bola e… cai no gramado com ela… e prossegue com carícias… tira o calção… Mas Pio XII pega a redonda, dizendo não admitir imoralidades. Pio arregaça a batina e se prepara para cobrar. A barreira do Céu está postada e ri. Lá vai Pio, bufando e vermelho do esforço. Correu, atirou… Ridículo. A bola vai saindo vagarosamente pela linha de fundo… e… gol! Gooooooooool! Do Infeeeerno! Pio é o nome dele! O craque da camisa número doze! O Inferno abre o marcador com um gol inacreditável.

NIETZSCHE: Pra mim, a bola desviou no Espírito Santo. Tava indo claramente para a bandeirinha de escanteio!

DANTE: Orfeu?

ORFEU: “O que a gente faz, é por debaixo dos pano, pra ninguém saber, é por debaixo dos pano, que eu ganho mais…”

DANTE: Orfeu!

ORFEU: Isso mesmo, Nietzsche. Daqui de onde eu tô pude ver bem a jogada e o último toque foi mesmo do Espírito Santo.

DANTE: Aí está, portanto. Com um verdadeiro gol espírita o Inferno faz 1 x 0. O Céu vai ter que partir para cima agora, Agostinho.

AGOSTINHO: (Aproxima-se lenta e tremulamente do microfone.) Bem. (Afasta-se lenta e tremulamente do microfone.) (CONTINUA)

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4 Comments on “CLÁSSICO METAFÍSICO: CÉU X INFERNO (Quarta Parte)”

  1. #1 Fábio
    on Jun 25th, 2009 at 12:40 pm

    Putaquipariu, Marquinhos Moura é o fim!!!

    [Reply]

  2. #2 Moacy
    on Jun 26th, 2009 at 12:38 am

    Meu caro,
    voltei a (re)publicar textos seus no Balaio.
    Um abraço.

    [Reply]

  3. #3 Gustavo
    on Jun 26th, 2009 at 12:43 pm

    A de Sade foi genial!

    [Reply]

  4. #4 Inaiara
    on Jun 26th, 2009 at 8:46 pm

    Estou tentando me concentrar na peleja, mas preciso “intervalar”:

    Fábio, não fale mal do MM, não cometa essa heresia!!

    [Reply]

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